quinta-feira, 30 de maio de 2013

Cinema Asiático: Irã

No livro O Novo Cinema Iraniano, de Alessandra Meleiro, é possível compreender um pouco mais sobre esta cinematografia. São produções premiadas, intervenções estatais e outros marcos históricos que fazem do cinema do Irã objeto de estudo para teóricos pelo mundo.
A seguir, um resumo de alguns momentos importantes para as produções cinematográficas daquele país.

- Políticas culturais na década de 1960: emprego de recursos financeiros e humanos para práticas culturais;
- Instituto para o Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente (Kanun): fundado pela princesa Farah, esposa do xá Reza Pahlevi (segundo o Minidicionário Houaiss, "xá" é um título de nobreza a monarcas iranianos até a revolução islâmica de 1979), é uma das mais importantes organizações que incentivavam o cinema iraniano, conferindo maior liberdade de expressão aos artistas e incentivo às produções para o público juvenil.
- A obra apresenta três períodos do Kanun:
 1) 1966-1979: alguns dos melhores curtas e filmes de animação da história do cinema iraniano foi feito nesse período. Mesmo que o público-alvo dos filmes do Kanun fosse infantil, nem todos os filmes eram destinados a crianças. Alessandra Meleiro destaca também que o ano de 1969 foi um marco para o "Novo Cinema Iraniano" pois houve um distanciamento do cinema comercial e uma aproximaçaõ da vanguarda europeia.
É citado o filme A Vaca (1969), de Dariush Mehrjui, sobre a pobreza na vida dos camponeses iranianos.

 2) Do início da Revolução Islâmica até meados dos anos 1990: este período apresenta produções mais realistas, com temáticas sociais.Na década de 1970, o cinema iraniano encontrava-se político, como uma resposta à repressão do governo. A autora cita o filme Cheshmeh/ A fonte (1972), do diretor Arby Ovanesian, que trata das discordâncias entre as religiões cristã e xiita. O Jarro (1992), do diretor Ebrahim Foruzesh,também é lembrado como produção deste período.
Em uma escola do deserto, o jarro que serve para as crianças matarem a sede trinca. Isso mobiliza as pessoas da aldeia, cada uma com uma reação diferente.“O Jarro” foi filmado com atores não profissionais numa aldeia do escaldante deserto iraniano (fonte: "Filme O Jarro: objeto como protagonista", de José Francisco Sarmento Nogueira);



 3) Até os dias atuais: Maior controle sobre os cineastas, que decidiram migrar para produtoras independentes. Houve um declínio quantitativo e qualitativo nas produções. Apesar disso, Children of Heaven (1998), produzido naquele período, foi o primeiro filme indiano a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro).
O fator comum em todos os períodos é que as produções tiveram que se submeter a alguma autoridade.
Atualmente, percebe-se que as políticas públicas do Irã para o cinema estão focadas em um sentido ideológico. Procura-se abordar temáticas que retratem a sociedade islâmica a partir da Revolução e da guerra. Desta forma, o governo prima pelo que Alessandra Meleiro chama de "islamização da sociedade".

Mesmo assim, o cinema iraniano é mundialmente premiado e deixa plateias do mundo inteiro curiosas sobre sua forma peculiar de contar histórias.
Abaixo, o trailer do filme A Separação (2012), do diretor Asghar Farhadi, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estranheiro em 2012. Trata da história do casal Nader e Simin, que decide se separar, mas precisa resolver questões relacionadas ao pai de Nader, que sofre de mal de Alzheimer, e como cuidar da filha de 11 anos.


** Texto: Adrielly Cordeiro e Diego Nogueira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário