quinta-feira, 30 de maio de 2013

Nouvelle Vague


Para defender a nouvelle vague da força gravitacional e da luz ofuscante de sua própria mitologia, existe a opção de investigá-la como crista da onda reflexiva que a precedeu, circunscreveu e impulsionou.

Temas do movimento:
      Ruptura e consciência
      Jovens
      Década de 60
      Possibilidades do cinema “moderno”
      Incorporação de estilos e posturas
      Holywood
      A televisão
      Erotismo
       
A nouvelle vague foi o primeiro movimento cinematográfico produzido com base em um interesse  pela memória do cinema.

      Henri  Langlois
      Cineclubismo
      Cahier du cinema

André Bazin
Cahier du cinema

·         a paixão crítica pelo cinema americano clássico foi tão fundamental como o interesse pela literatura e pintura modernas.
·         O interesse pelos autores americanos- pedra de toque da política de autores dos jovens críticos-, seria muitas vezes mediado pelos valores e conceitos da arte moderna, a descontinuidade, a incorporação do acaso e da realidade documental, a valorização da montagem.
  • François Truffault (1932-1984)
  • Os incompreendidos
  • Jules et Jim
  • Uma noite americana

A política dos autores

  • Truffaut investe contra Aurenche e Bost, os roteiristas mais prestigiados e copiados do cinema francês.
  • O artigo "Uma certa tendência do cinema francês", publicado em janeiro de 1954, faz a dura crítica dos ranços literários, do convencionalismo e do falso realismo "de fotos lambidas e enquadramentos sábios“.
  • Considerar a adaptação de romances como um exercício preguiçoso com o qual o verdadeiro cinema, o cinema "puro", não teria nada a ganhar é, portanto, um contra-senso crítico desmentido por todas as adaptações de  valor.

Autenticidade de Estilo

·         “Nada menos literário, nada menos romanesco que Viagem à Itália. Rossellini não gosta de narrar, muito menos de demonstrar (...) a dialética é uma moça que dorme com todas as modas de pensamento, e se oferece a todos os sofismas; e os dialéticos são canalhas (...) a moda é a sutileza, os refinamentos, os jogos de príncipes do espírito; Rossellini não é sutil, é prodigiosamente simples.”

Rivetti sobre Rosselini:

·         “Como não reconhecer repentinamente a aparência fundamentalmente esboçada, mal composta, inacabada de nossa existência cotidiana; esses grupos arbitrários, essas reuniões de seres minados pelo tédio e pela lassidão, como nós os reconhecemos, como eles são a imagem refutável, acusadora, de nossas sociedades heteróclitas, sem harmonia, em desacordo.
·         Antes de tudo, é necessário conhecer os homens tal como são. E o cinema está para isso, para filmarmos em todas as latitudes, em todas as aventuras, em todos os ângulos, bons e maus. Não à toa a objetiva de uma câmera se chama, assim, objetiva. É preciso acercar-se dos homens com objetividade e respeito. Alguém não tem o direito de filmar um personagem horrível com a intenção de condenar-lhe ao mesmo tempo.
·         O neo-realismo repõe o homem no centro do quadro, destitui o rosto da persona hollywoodiana, devolve à locação sua dimensão ontológica, refaz de forma convincente o pacto entre espectadores e imagens, que se perdera nas mentiras de guerra, na publicidade e na megalomania do espetáculo. A Nouvelle Vague faria seus filmes também com o preto-e-branco de Rossellini, muitas vezes encontrando, dentro dos filmes, a estilização "à americana". As cores do luto revelam um cinema feito da austeridade moral da reconstrução de um país após a Segunda Guerra Mundial. Mas, na Nouvelle Vague, o luto encontra um esforço notável de ressurreição formal, em boa medida baseado no repertório de soluções visuais de Hitchcock e Ray.
·         Paulo Emílio ainda não tinha visto Acossado, de Godard, e os novos filmes que viriam dali em diante. Mas já aponta, no calor da hora, uma das marcas da Nouvelle Vague: a de utilizar a dificuldade de produção como trunfo para a invenção narrativa. As fotos feitas durante a filmagem do primeiro longa de Godard, no fim do verão de 1959, revelam um modo de produção inventivo: o uso de um carrinho de supermercado para filmar os personagens Michel e Patrícia por meio de um travelling que recua pelas ruas de Paris, a equipe enxuta de diretor e fotógrafo, o uso de luz natural e de um material fotográfico especial para imagens noturnas, adotado pelo câmera Raoul Coutard.

Nouvelle Vague: aspectos de estilo

à A Busca da Rua, em oposição ao  cinema de estúdios
à utilização de novos equipamentos de captação de som e câmeras de documentários, para dar mais agilidade às mudanças de locações.
à Um modelo de produção em que o roteiro desloca-se do centro para deixar lugar a uma filmagem que privilegia a encenação e a mise-em-scène.

Entre as principais características da Nouvelle Vague estão:

à as técnicas inovadoras de movimentação de câmera e de montagem (liberdade estética para a utilização de arquivos de filmes, programas de televisão, quadrinhos, pinturas materiais documentais e outros registros);
à  a narrativa não linear;
à   os temas ousados abordados na maioria dos filmes à Um adolescente rebelde, um assassino em fuga, homens e mulheres que traem os parceiros e um aberto triângulo amoroso
à a sensualidade sutil que explorava com perfeição a beleza das musas da época e;
à Cenas de nudez, que conferem um erotismo sugerido, pouco explicito, mas muito sensual;
à Utilização da voz over, do Flashback
à Explicitação da figura do narrador, em oposição a um cinema em que a historia “parece contar a si própria”
à  a constituição de m embrião de futuras experiências de metalinguagem

A renovação dos tipos físicos e os perfis dos atores



Hiroshima, Mon Amour (1959)


Uma atriz francesa casada (Emmanuelle Riva) veio de Paris para trabalhar num filme sobre a paz. Ela tem um affair com um arquiteto japonês (Eiji Okada) também casado, cuja esposa está viajando. Nos dois dias que passam juntos várias lembranças vêem à tona enquanto esperam, de forma aflita, a hora da partida dela.
Ela conta que foi "tosquiada", pois se apaixonou por um alemão (Bernard Fresson) quando tinha apenas 18 anos e morava em Nevers,  sendo libertada no dia em que seu amor foi morto, já no final da 2ª Guerra Mundial. Por ter amado um inimigo ela foi aprisionada por sua família numa fria e escura adega e agora, 14 anos depois, novamente sente o gosto de viver um amor quase impossível.


*Postado por Cleison Guimarães. Material cedido por Ariomar Oliveira, Daniel Tavares e Tayara Wanderley.

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