Para defender a nouvelle vague da força gravitacional e da luz
ofuscante de sua própria mitologia, existe a opção de investigá-la como crista
da onda reflexiva que a precedeu, circunscreveu e impulsionou.
Temas do
movimento:
• Ruptura e
consciência
• Jovens
• Década de 60
• Possibilidades
do cinema “moderno”
• Incorporação
de estilos e posturas
• Holywood
• A televisão
• Erotismo
•
A nouvelle vague foi o primeiro movimento cinematográfico produzido com
base em um interesse pela memória do
cinema.
• Henri Langlois
• Cineclubismo
• Cahier du
cinema
André Bazin
Cahier du cinema
·
a paixão crítica pelo cinema americano clássico foi tão
fundamental como o interesse pela literatura e pintura modernas.
·
O interesse pelos autores americanos- pedra de toque da política
de autores dos jovens críticos-, seria muitas vezes mediado pelos valores e
conceitos da arte moderna, a descontinuidade, a incorporação do acaso e da
realidade documental, a valorização da montagem.
- François Truffault (1932-1984)
- Os incompreendidos
- Jules et Jim
- Uma noite americana
A política
dos autores
- Truffaut investe contra Aurenche e Bost,
os roteiristas mais prestigiados e copiados do cinema francês.
- O artigo "Uma certa tendência do
cinema francês", publicado em janeiro de 1954, faz a dura crítica dos
ranços literários, do convencionalismo e do falso realismo "de fotos
lambidas e enquadramentos sábios“.
- Considerar a adaptação de romances como
um exercício preguiçoso com o qual o verdadeiro cinema, o cinema
"puro", não teria nada a ganhar é, portanto, um contra-senso
crítico desmentido por todas as adaptações de valor.
Autenticidade
de Estilo
·
“Nada menos literário, nada menos romanesco que Viagem à Itália.
Rossellini não gosta de narrar, muito menos de demonstrar (...) a dialética é
uma moça que dorme com todas as modas de pensamento, e se oferece a todos os
sofismas; e os dialéticos são canalhas (...) a moda é a sutileza, os
refinamentos, os jogos de príncipes do espírito; Rossellini não é sutil, é
prodigiosamente simples.”
Rivetti
sobre Rosselini:
·
“Como não reconhecer repentinamente a aparência fundamentalmente
esboçada, mal composta, inacabada de nossa existência cotidiana; esses grupos
arbitrários, essas reuniões de seres minados pelo tédio e pela lassidão, como
nós os reconhecemos, como eles são a imagem refutável, acusadora, de nossas
sociedades heteróclitas, sem harmonia, em desacordo.
·
Antes de tudo, é necessário conhecer os homens tal como são. E o
cinema está para isso, para filmarmos em todas as latitudes, em todas as
aventuras, em todos os ângulos, bons e maus. Não à toa a objetiva de uma câmera
se chama, assim, objetiva. É preciso acercar-se dos homens com objetividade e
respeito. Alguém não tem o direito de filmar um personagem horrível com a
intenção de condenar-lhe ao mesmo tempo.
·
O neo-realismo repõe o homem no centro do quadro, destitui o rosto
da persona hollywoodiana, devolve à locação sua dimensão ontológica, refaz de
forma convincente o pacto entre espectadores e imagens, que se perdera nas
mentiras de guerra, na publicidade e na megalomania do espetáculo. A Nouvelle
Vague faria seus filmes também com o preto-e-branco de Rossellini, muitas vezes
encontrando, dentro dos filmes, a estilização "à americana". As cores
do luto revelam um cinema feito da austeridade moral da reconstrução de um país
após a Segunda Guerra Mundial. Mas, na Nouvelle Vague, o luto encontra um
esforço notável de ressurreição formal, em boa medida baseado no repertório de
soluções visuais de Hitchcock e Ray.
·
Paulo Emílio ainda não tinha visto Acossado, de Godard, e os novos
filmes que viriam dali em diante. Mas já aponta, no calor da hora, uma das
marcas da Nouvelle Vague: a de utilizar a dificuldade de produção como trunfo
para a invenção narrativa. As fotos feitas durante a filmagem do primeiro longa
de Godard, no fim do verão de 1959, revelam um modo de produção inventivo: o
uso de um carrinho de supermercado para filmar os personagens Michel e Patrícia
por meio de um travelling que recua pelas ruas de Paris, a equipe enxuta de
diretor e fotógrafo, o uso de luz natural e de um material fotográfico especial
para imagens noturnas, adotado pelo câmera Raoul Coutard.
Nouvelle
Vague: aspectos de estilo
à A Busca da
Rua, em oposição ao cinema de estúdios
à utilização
de novos equipamentos de captação de som e câmeras de documentários, para dar
mais agilidade às mudanças de locações.
à Um modelo de
produção em que o roteiro desloca-se do centro para deixar lugar a uma filmagem
que privilegia a encenação e a mise-em-scène.
Entre as
principais características da Nouvelle Vague estão:
à as técnicas
inovadoras de movimentação de câmera e de montagem (liberdade estética para a
utilização de arquivos de filmes, programas de televisão, quadrinhos, pinturas
materiais documentais e outros registros);
à a narrativa não linear;
à os temas ousados abordados na maioria dos
filmes à Um
adolescente rebelde, um assassino em fuga, homens e mulheres que traem os
parceiros e um aberto triângulo amoroso
à a
sensualidade sutil que explorava com perfeição a beleza das musas da época e;
à Cenas de
nudez, que conferem um erotismo sugerido, pouco explicito, mas muito sensual;
à Utilização
da voz over, do Flashback
à Explicitação
da figura do narrador, em oposição a um cinema em que a historia “parece contar
a si própria”
à a constituição de m embrião de futuras
experiências de metalinguagem
A renovação
dos tipos físicos e os perfis dos atores
Hiroshima,
Mon Amour (1959)
Uma atriz
francesa casada (Emmanuelle Riva) veio de Paris para trabalhar num filme sobre
a paz. Ela tem um affair com um arquiteto japonês (Eiji Okada) também casado,
cuja esposa está viajando. Nos dois dias que passam juntos várias lembranças
vêem à tona enquanto esperam, de forma aflita, a hora da partida dela.
Ela conta
que foi "tosquiada", pois se apaixonou por um alemão (Bernard
Fresson) quando tinha apenas 18 anos e morava em Nevers, sendo libertada no dia em que seu amor foi
morto, já no final da 2ª Guerra Mundial. Por ter amado um inimigo ela foi
aprisionada por sua família numa fria e escura adega e agora, 14 anos depois,
novamente sente o gosto de viver um amor quase impossível.
*Postado por Cleison Guimarães. Material cedido por Ariomar Oliveira, Daniel Tavares e Tayara Wanderley.


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