quinta-feira, 30 de maio de 2013

Dogma 95

O INÍCIO

O Dogma 95 foi um movimento criado pelos cineastas dinamarqueses Thomas Vinterberg e Lars von Trier

PROPOSTA

O Dogma 95 foi criado com o objetivo de resgatar o cinema. O movimento tem a intenção de quebrar o modelo de fazer filmes criado por Hollywood.

OS FILMES

Os filmes desse movimento são caracterizados por imagens tremidas e granuladas, montagem repleta de jump cuts e possuiam um “quê” de amadorismo. Os filmes eram realizados com câmeras de miniDV, que são extremamente baratas.

O IMPACTO

O impacto desse movimento foi grande. O primeiro filme feito de acordo com as regras do movimento, Festa de Família (Festen, 1998), ganhou o prêmio especial do júri, no Festival de Cannes.

Os filmes realizados sob as regras do movimento ganhavam um certificado. Os certificados do Dogma 95 permitiram que filmes de baixo orçamento tivessem visibilidade no mercado cinematográfico.

VOTO DE CASTIDADE

As regras do Dogma 95, também conhecidas como “Voto de Castidade”, são:

1 - As filmagens devem ser feitas no local. Não podem ser usados acessórios ou cenografia. Se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre;
2 - O som jamais deve ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena;
3 - A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos – Ou a imobilidade – devidos aos movimentos do corpo.
4 - O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. Se há pouca luz no ambiente, a cena deverá ser cortada ou então pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera.
5 - São proibidos os truques fotográficos e filtros.
6 - O filme não deve conter nenhuma ação superficial, como homícidios e etc.
7 - São vetados os deslocamentos temporais e geográficos.
8 - São inaceitáveis os filmes de gênero.
9 - O filme deve ser transferido para cópia em 35mm, padrão, com formato de tela 4:3.
10 - O nome do diretor não deve figurar nos créditos.

FILMES IMPORTANTES
Festa de Família (Festen, 1998) e Os Idiotas (Idioterne, 1998) são dois primeiros filmes do movimento, e também são os mais importantes.

O DOGMA 95 HOJE EM DIA
O movimento acabou em 2005, depois de 31 filmes produzidos por cineastas do mundo inteiro. Hoje em dia, para ter um certificado do Dogma 95, tudo que você precisa fazer é entrar no site e preencher um formulário dizendo que você acredita que seu filme está de acordo com o voto de castidade.

***material cedido por Thiago Looney e Verônica Ivachuk.
***postado por Cleison Guimarães. 

Cinema Africano: Nigéria, África do Sul e outros países


“É preciso ser louco para fazer cinema na Africa”. 

Acredita-se que a frase seja do senegalês Ousmane Sembène, o primeiro cineasta africano a alcançar reconhecimento internacional (fonte:IMDB).  Sembène conseguiu tal feito com o filme "La Noir De..." (1966), sobre a história de uma jovem senegalesa que chega na França para trabalhar como empregada doméstica. Antes, ansiosa para ver na realidade o luxo ostentado na revista Elle, a moça se vê desiludida com a exploração que sofre (fonte: Blog Cine África).
Abaixo temos um trecho do filme "La Noire De...".



A cinematografia africana é uma das mais jovens do mundo, e mesmo não sendo amplamente divulgada por essas bandas, não deixa de atrair olhares por conta de suas várias faces.
No livro Cinema Mundial Contemporâneo (organização de Fernando Mascarello e Mauro Baptista) temos um capítulo dedicado ao cinema africano. Podemos ver, por exemplo, que ao mesmo tempo em que os filmes obtém financiamento fora do continente, as novas tecnologias permitem também inovações na produção e distribuição na África.
Abaixo, um vídeo produzido pela TV Brasil, sobre festivais africanos de audiovisual.


Paulin Soumanou Vieyra, também pioneiro no cinema africano e escritor, saiu na frente ao escrever sobre o assunto. Na ocasião do lançamento de seu livro O cinema africano, Vieyra explicou que escolheu abordar o tema no singular pois naquela época (ano de 1975), não havia “[...] cinemas nacionais importantes que permitissem fracionar o seu estudo em cinema argelino, senegalês, nigeriano, marroquino”.
O texto também cita a contribuição de Guido Convents, historiador belga que escreveu L'Afrique? Quel cinema! Un siècle de propagande colonial et film africain, de 2006. No livro, Convents comenta sobre percepções e estereótipos dos chamados filmes coloniais (aquele em que a África é apenas o espaço onde a trama se desenvolve)
Breve histórico do cinema africano, baseado no livro Cinema Mundial Contemporâneo.
  • O primeiro filme africano é da Tunísia:  Aïn el Ghezal (A moça de Cartagena), de Chemanda Chikly - 1924;
  • Laïla, de Istefane Rosti (1928) é uma produção egípcia, considerada uma exceção, pois a produção africana vai apenas dar sinais de vida nas décadas de 1950 e 1960;
  • Afrique sur-Seine (Grupo Africano de Cinema) - 1955;
  • “Filmar no sul para o norte com o dinheiro do norte” - Jean-Michel Frodon;  
  • Converteu-se, da noite para o dia, num dos maiores produtores de filmes na África e no mundo, hoje situada em terceiro lugar, estando atrás apenas dos USA e Índia.
  • “..em apenas dez anos, o crescimento das produções em vídeo criou um fenômeno que suscita o fascínio de professores, jornalistas, pesquisadores e de outros teóricos do cinema, todos curiosos para descobrir a magia da Nigéia”  - Tunde Kelani, cineasta nigeriano.
  • Destaque para Barrot (2005) que, com ajuda de outros autores nigerianos, fez uma coletânea de artigos que descreve minuciosamente a nebulosa da indústria do vídeo no país.
  • Além de salientar aspectos estéticos e sociológicos, aborda o modelo de distribuição desta indústria de vídeo, que se desenvolve longe de qualquer regulamentação pública.
  • Aumento do consumo de aparelhos de videocassetes e leitores de dvd´s.
  • Permitiu a emergência de um mercado informal disputado por pequenos produtores e distribuidores locais.
  • Reinvestindo parte de seus lucros na produção, os pequenos distribuidores se transformaram em produtores executivos e suplantaram os próprios produtores.
  • “Para muitos deles, cinema não é uma arte, é algo como uma cadeia de produção”  
  • Muitos são rodados sem câmeras profissionais.
  • Para muitos, a informalidade é chave do sucesso de Nollywood, além da garantia de sua liberdade, já que com a ausência de grandes estúdios, garante não só a diversidade mas também a autenticidade de sua produção.
  • De um lado cineastas sem qualquer formação em cinema, e de outro, cineastas que insistem em se expressar apenas em película.
  • Para Tunde Kelani, é “pura mentira” a afirmação de que o único modo de produção de obras de qualidade é a filmagem em película.
  • “poderia ajudar a reduzir o fosso que separa os países desenvolvidos e a África”.
  • Compromisso estético e social dos filmes X sexo, violência, armas, humor slapstick (pastelão).
  • Privilégio da quantidade em detrimento da qualidade. Abdicação de toda uma tradição de cinema autoral, social e político, que é a marca registrada dos filmes africanos.
  • As comédias populares em vídeo, diz o autor, refletem as aspirações das classes médias africanas. Mesmo sendo produções de baixo orçamento, elas interpelam mais o público africano e encerram uma “escolha estética essencial que se distingue radicalmente das intenções do cinema francófono que se dirige apenas aos europeus”
  • Para Diawara, chegou a hora do cinema africano romper com os mecanismos de ajuda da cooperação francesa.
  • Diferentemente de Nollywood, os produtores e cineastas sul-africanos não desistem do cinema em película.
  • O fim do Apartheid – Nova fase do cinema.
  • Negros desempenhando papéis importantes.
  • Temas recorrentes extraídos do cotidiano e da realidade da “nova África do Sul”.
  • Estilo hollywoodiano em que são tratadas as questões sociais ligadas à violência urbana, à dura realidade da vida nos townships.  São citado Yesterday (2004) , de Darrel Roodt; e  Tsotsi (2005) – Gavin Hood. Segundo o site Omelete, tem-se a história de Tsotsi, um     jovem criminoso que, durante um de seus delitos, encontra um bebê no banco de trás do carro que acabara de assaltar.
  • U-Carmen e-Khayelitsha (2005) - Fools (1997)  e Zulu lover letter (2004) Mark Dornford-May;
  • Reestruturação do setor cinematográfico, que dinamizou tanto a produção quanto o circuito de distribuição e exibição;
  • Dispõe de uma ampla infra-estrutura no setor audiovisual, que vem abrir novas perspectivas para a produção cinematográfica;
  • Co-produção com a Inglaterra;
  • O próprio Estado sul-africano se empenha na produção de filmes com subvenções concedidas aos cineastas;
  • Setor de distribuição controlado pela iniciativa privada;
  • Os filmes sul-africanos têm problemas para atingir as populações negras, as temáticas dos townships ainda está longe de interessar ao público branco, que continua sendo o maior freqüentador das salas alternativas;
  • Existem salas de cinema nas townships, mas estas não interessam aos moradores: “[...] a taxa de comparecimento nessas salas não supera os 6%. O problema é que o jovem de Soweto não gosta da ideologia do gueto. (...) Ele prefere sair do seu subúrbio, tomar um táxi, percorrer os cerca de 28 quilômetros que o separam do centro da cidade para ir ver um filme. Durante anos, foi proibido sentar na cidade, no meio dos brancos. De repente, ele se sente um homem livre. As salas do centro da cidade são mais freqüentadas” – Suleman Ramadan.
  • Mas diferentemente do cinema dos demais países africanos, o da África do Sul pode contornar parte desses problemas, graças aos conglomerados de televisão e de publicidade já existentes no país;
  • South African Broadcasting Corporation (SABC) – que se envolve na produção de ficção colocando fundos à disposição de jovens realizadores.

*Texto: Adrielly Cordeiro e Renan Marinho.  Material cedido por Renan Marinho, Pedro Carlos e Dheik Praia.

Cinema Latino-americano - Parte 2

Cinema Mexicano



  • Inicio do século XX
    • Documentar acontecimentos históricos – em especial a Revolução Mexicana
  • Nos anos 20
    • Foram produzidos poucos filmes, em grande parte devido à grande instabilidade do clima político
  • Nos anos 30
    • Paz e estabilidade política, a cinematografia arrancou de vez. Os primeiros cineastas mexicanos foram influenciados e encorajados pela visita de Serguei M. Eisenstein ao país.
Os Anos de ouro

  • Nos anos 40, desenvolveu-se todo o potencial da indústria
  • O México dominou o mercado cinematográfico da América Latina durante a maior parte dessa época, sem a competição da indústria norte-americana
  • Benefícios do alinhamento do México com os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial
  • Os americanos ajudaram a incentivar a indústria do cinema, fazendo empréstimos ou investimentos diretos, fornecendo-lhe filme virgem, equipamentos e assessoramento técnico a um bom preço
  • A maioria dos filmes americanos realizados entre 1940 e 1945 refletiam um interesse por temas de guerra, alheios ao gosto latino e a produção europeia tampouco representava uma concorrência considerável
  • A indústria de cinema mexicana tornou-se a maior produtora de filmes de língua espanhola, desafiando significativamente a hegemonia de Hollywood no ramo da exibição pela América Latina
  • Atores, atrizes e realizadores tornaram-se ícones populares e mesmo figuras com influência política em várias esferas da vida mexicana
  • Pedro Infante, Jorge Negrete, María Félix, Mario Moreno “Cantinflas”, Joaquín Pardave e Dolores del Río
  • Os temas dos filmes, embora na maior parte apresentados no formato de dramas ou comédias convencionais, tocaram todos os aspectos da sociedade mexicana
  • Séries americanas, divas italianas e a religião eram as inspiração dos atores e roteiristas
  • A “comédia ranchera” (rural) contribuiu para familiarizar os latino-americanos com o folclore mexicano
  • Gabriel Figueroa tornou-se um realizador aclamado internacionalmente, e Emilio Fernández e Luis Buñuel realizaram alguns dos filmes mais importantes do México
  • Tepeyac (1917) – José Manuel Ramos, Carlos E. Gonzáles e Fernando Sáyago
  • Flor Silvestre (1943) – Emilio Fernández
  • Há um pré e um pós-Buñuel.
  • Depois dele, o cinema abre caminho com Arturo Ripstein, Paul Leduc, Jaime Humberto Hermosillo ou ainda Nicolas Echevarria, substituídos nestes últimos anos por uma nova geração onde se destacam Maria Novaro, Carlos Reygadas, Guillermo del Toro e Alejandro Gonzalez Iñarritu.
  • O apogeu dos estúdios do México coincide com a consolidação do populismo e do nacionalismo cultural que dão ao país uma estabilidade sustentável
  • No momento em que se nacionaliza o seu petróleo, os mexicanos apropriam-se da comédia musical ou do melodramático e conferem-lhe um estilo que só a eles pertence.
  • À semelhança de algumas das principais empresas distribuidoras de Hollywood, os mexicanos constroem salas de cinema cuja programação monopolizam em vários países hispanófonos, sem esquecer as salas do sul dos Estados Unidos reservadas aos imigrados.

*Postado por Ítalo D'avila. Material cedido por João Pedro Ribeiro e Leandro Ebling,

Cinema latino-americano - Parte 1

Cinema Argentino




Sair à rua, filmar a sociedade e mostrar seus personagens, sobreviventes na corda bamba, são os mandamentos da nova cinematografia argentina, cada vez mais popular em seu país e na América Latina

Mudanças na geografia cinematográfica contemporânea

·         Animado por diretores relativamente jovens como Damián Szifrón (36 anos), Daniel Burman (38 anos), Pablo Trapero (41), Lucrecia Martel (46), Juan José Campanella (52) e Marcelo Piñeyro (59).
·         Em busca da simplicidade e da criatividade, sem muitos efeitos especiais, um conjunto de filmes argentinos recentes lançou um olhar sensível, reconhecido pela sociedade, sobre o dia a dia.

Popularidade

·          Basta dizer que, em 2011, enquanto 192 milhões de brasileiros compraram 141 milhões de ingressos de cinema, 40 milhões de argentinos compraram 50 milhões de ingressos. O cinema virou quase uma mania nacional.

Sucesso

·         Feito a partir da liberdade de tom, o cinema portenho tem conquistado prêmios internacionais, inclusive dois Oscars de melhor filme estrangeiro: em 1986, com A história oficial, de Luis Puenzo, e em 2010, com O segredo dos seus olhos, de Juan José Campanella.

Relação com outras escolas

·         A nova leva de filmes mostra proximidade com o cinema francês e italiano do início da década de 60. "A tônica parece ser fazer um filme para que o povo se veja nele", observa Araújo. É na presença do cotidiano, na empatia com os personagens, no estilo austero da narração e nos parcos recursos tecnológicos que brota a grandeza criativa desses filmes, alimentados pela riqueza literária do país e por sua ampla classe média educada.

Futuro da Escola Argentina

·         Rivera, especialista em documentários, pressente que o próximo mapa da mina será o cinema documental. "Já temos uma linguagem que revela a Argentina não em sentido pitoresco, mas no registro verdadeiro e realista, contudo sem excluir um olhar poético." A tendência é global. Segundo o diretor, 40% do cinema que se faz hoje no mundo são documentários.

Exemplo de filmes de sucesso

·         Entre os muitos sucessos, os críticos ressaltam Um conto chinês, de Sebastián Borensztein; O filho da noiva, de Juan José Campanella; Tempo de valentes, de Damián Szifrón; Carancho, de Pablo Trapero; Medianeiras, de Gustavo Taretto; Plata quemada e Las Viudas de los jueves, de Marcelo Piñeyro.
·         "Mas, sem dúvida, foi Nove rainhas, de Fabián Bielinsky, que, em 2000, abriu as portas do cinema portenho para salas além da Argentina, com um novo e prazeroso cinema", ressalta Marcelo Magnasco, diretor da Faculdade de Audiovisuais, do Instituto Universitário Nacional de las Artes, em Buenos Aires.

Identidade

·         Diretor da mais antiga das 20 escolas de cinema existentes na capital, Magnasco tem consciência de que já existe uma "escola argentina" de cinema. Não há fórmula específica, mas sim "estilos" em que cada diretor procura construir a própria identidade, com foco na pluralidade do seu país.


*Postado por Ítalo D'avila. Material cedido por João Pedro Ribeiro e Leandro Ebling.

Cinema Asiático: Irã

No livro O Novo Cinema Iraniano, de Alessandra Meleiro, é possível compreender um pouco mais sobre esta cinematografia. São produções premiadas, intervenções estatais e outros marcos históricos que fazem do cinema do Irã objeto de estudo para teóricos pelo mundo.
A seguir, um resumo de alguns momentos importantes para as produções cinematográficas daquele país.

- Políticas culturais na década de 1960: emprego de recursos financeiros e humanos para práticas culturais;
- Instituto para o Desenvolvimento Intelectual da Criança e do Adolescente (Kanun): fundado pela princesa Farah, esposa do xá Reza Pahlevi (segundo o Minidicionário Houaiss, "xá" é um título de nobreza a monarcas iranianos até a revolução islâmica de 1979), é uma das mais importantes organizações que incentivavam o cinema iraniano, conferindo maior liberdade de expressão aos artistas e incentivo às produções para o público juvenil.
- A obra apresenta três períodos do Kanun:
 1) 1966-1979: alguns dos melhores curtas e filmes de animação da história do cinema iraniano foi feito nesse período. Mesmo que o público-alvo dos filmes do Kanun fosse infantil, nem todos os filmes eram destinados a crianças. Alessandra Meleiro destaca também que o ano de 1969 foi um marco para o "Novo Cinema Iraniano" pois houve um distanciamento do cinema comercial e uma aproximaçaõ da vanguarda europeia.
É citado o filme A Vaca (1969), de Dariush Mehrjui, sobre a pobreza na vida dos camponeses iranianos.

 2) Do início da Revolução Islâmica até meados dos anos 1990: este período apresenta produções mais realistas, com temáticas sociais.Na década de 1970, o cinema iraniano encontrava-se político, como uma resposta à repressão do governo. A autora cita o filme Cheshmeh/ A fonte (1972), do diretor Arby Ovanesian, que trata das discordâncias entre as religiões cristã e xiita. O Jarro (1992), do diretor Ebrahim Foruzesh,também é lembrado como produção deste período.
Em uma escola do deserto, o jarro que serve para as crianças matarem a sede trinca. Isso mobiliza as pessoas da aldeia, cada uma com uma reação diferente.“O Jarro” foi filmado com atores não profissionais numa aldeia do escaldante deserto iraniano (fonte: "Filme O Jarro: objeto como protagonista", de José Francisco Sarmento Nogueira);



 3) Até os dias atuais: Maior controle sobre os cineastas, que decidiram migrar para produtoras independentes. Houve um declínio quantitativo e qualitativo nas produções. Apesar disso, Children of Heaven (1998), produzido naquele período, foi o primeiro filme indiano a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro).
O fator comum em todos os períodos é que as produções tiveram que se submeter a alguma autoridade.
Atualmente, percebe-se que as políticas públicas do Irã para o cinema estão focadas em um sentido ideológico. Procura-se abordar temáticas que retratem a sociedade islâmica a partir da Revolução e da guerra. Desta forma, o governo prima pelo que Alessandra Meleiro chama de "islamização da sociedade".

Mesmo assim, o cinema iraniano é mundialmente premiado e deixa plateias do mundo inteiro curiosas sobre sua forma peculiar de contar histórias.
Abaixo, o trailer do filme A Separação (2012), do diretor Asghar Farhadi, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estranheiro em 2012. Trata da história do casal Nader e Simin, que decide se separar, mas precisa resolver questões relacionadas ao pai de Nader, que sofre de mal de Alzheimer, e como cuidar da filha de 11 anos.


** Texto: Adrielly Cordeiro e Diego Nogueira.

Cinema Asiático: Índia

Na matéria sobre os 100 anos de Bollywood (termo empregado à indústria cinematográfica em língua hindi) o site Deutsche Welle afirma que esta é a maior do planeta, mesmo sendo considerada por muitos críticos especializados como brega e desprovida de conteúdo artístico. A mesma fonte indica que o cinema naquele país tem cunho educativo, visto que um terço da população não sabe ler ou escrever. Além disso, é o maior expoente de entretenimento em massa.
O Rei Harishchandra (1913), do diretor Dhundiraj Govind Phalke, é considerado o primeiro filme indiano. Chamam atenção os personagens femininos sendo interpretados por homens, já que ser atriz era algo indecente para a época.
No filme, o rei parte em uma caçada junto ao seu filho, e encontra três fadas em chamas.  As fadas tentam persuadir o rei a desistir de seu reino, e em meio a tantas dificuldades que o personagem principal enfrenta, este é avisado por um deus de que tudo não passava de um teste à sua índole (Fonte: IMDB).


 Na era de ouro do cinema hindi, despontam diretores que abordavam questões polêmicas. O diretor Raj Kapoor adquiriu fama internacional na época com filmes como Barsaat (1949) e  Awaara (1951), inspirando o espírito musical presente nas produções indianas atuais (fonte:IMDB).

 Raj Kapoor
Nos anos 1970, temos a figura de Amitabh Bachchan, conhecido como a primeira estrela internacional da Índia. Atuou em "Angry Young Man", além de filmes de ação que retratavam as mazelas sociais do país. O site The Times of India afirma que sua carreira vitoriosa fez com que, além de ganhar inúmeros prêmios por suas atuações, fosser eleito membro do Parlamento Indiano nos anos 80,  e o primeiro asiático vivo a ser homenageado com uma estátua de cera no famoso museu Madame Tussauds.

Se os anos 1970 foram marcados pelos filmes de ação, os da década que seguia trouxeram as histórias de amor e rebeldia. Por fim, nos anos 1990, vieram produções mais realistas, como Bombay (1995), sobre o embate entre hindus e mulçumanos no ano de 1993, e Com Todo o meu Coração (1998), sobre o terrorismo.
Foi apontado pelo Observatório Europeu do Audiovisual que a Índia produziu 1274 filmes no ano de 2011, muito acima de Hollywood. Ainda estima-se que 14 milhões de pessoas frequentem as salas de cinema indianas.
Abaixo,temos o filme Black (2005), tendo como personagem principal a jovem Michelle, amargurada devido suas deficiências visual e auditiva. Ela convive com seu professor Debraj (interpretado por Amitabh Bachchan) e compartilha momentos importantes de sua vida com ele.

Terminamos este post com uma citação do livro Cinema no Mundo: Ásia:
Hoje, Bollywood é a marca mais visível e popular do cinema indiano, conhecida pelas canções e danças ingênuas, amantes desventurados, celebrações ostentosas de glamour e espetáculo, irmãos perdidos e encontrados, coincidências convenientes e finais felizes. Muitos podem reprovar as lágrimas de glicerina e o molho de tomate, a correria frenética entre as árvores, o sári branco encharcado pela chuva aritificial ou o crescendo de cem violinos. Mas o público de Londres, Cidade do Cabo, Los Angeles e Tóquio normalmente reage a esses elementos com o mesmo entusiasmo de quem assiste ao filme na Índia.
 
*Texto: Adrielly Cordeiro e Diego Nogueira.

Cinema Asiático: China e Coreia

China

Naquele país, o cinema serviu, por muitos anos, como um instrumento do Partido Comunista ali instaurado para disseminar sua ideologia.
Durante a Revolução Cultural (1966-1976), o líder Mao Tsé Tung procurou aliar-se à juventude chinesa, promovendo uma onda contrária aos pensamentos de Confúcio, influência milenar para aquele país. Este confronto de ideias faziam com que o confucionismo fosse encarado como retrógrado. Entretanto, o cenário na época apresentava escolas fechadas, enérgica censura e atraso tecnológico.
(Fontes: Mundo Estranho e Cine Clube Ybitu Kat)
Tomando o livro Cinema Mundial Contemporâneo (organização de Mauro Baptista e Fernando Mascarello), temos nomes notáveis da cinematografia chinesa, formados pelo Instituto de Cinema de Pequim:
  • Chen Kaige: Yellow Earth (1984); Life on a String (1991); Farewell My Concubine (1993);
  • Tian Zhuangzhyang: Blue Kite (1993);
  • Zhang Yimu: Raise the Red Lantern (1991).
O livro afirma que a corrente artística formada por estes e outros estudantes da mesma época formou uma Nouvelle Vague chinesa, chamada de Quinta Geração. Tal demominação mostra que ali encontrava-se uma herança, um legado surgido a partir das consequências da Revolução Cultural.
A seguir, trailer do filme Yellow Earth (1984), ponto inicial da Quinta Geração e de um novo cinema chinês. Retrata a complicada relação entre cultura e política, por meio da história de um soldado comunista que se muda para uma pequena aldeia ao norte da China para pesquisar sobre canções folclóricas. Lá se instala em uma casa pobre, onde se apaixona pela filha do dono.


 Coreia

Também marcado pelos acontecimentos políticos, o cinema coreano apresenta os seus contrastes: tanto a Coreia do Norte quanto a do Sul detém grandes indústrias cinematográficas, mas enquanto a primeira apenas abarca temas comunistas e/ou revolucionários, a outra ainda tem alguma divulgação internacional.
O site Cinema Coreano apresenta os seguintes períodos desta cinematografia:
  • Período inicial (até 1926): há divergências sobre qual seria o primeiro filme produzido na Coreia. A disputa fica entre a produção Chunhyang-Jeon (lançada em 1922), também provavelmente o primeiro longa-metragem coreano, além de possuir cor, som e widescreen; e Yun Baek-nam’s Ulha ui Mengse (1923);
  • A Era de Ouro do Cinema Mudo (1926-1930): Na Woon-gyu, um jovem ator, escreveu, dirigiu e estrelou seu próprio filme, Arirang (1926), inspiração para a intensa atividade cinematográfica coreana na década de 1920;
  • A Era Silenciosa (1930-1935): a censura fez com que a produção de filmes caísse (cerca de 2 ou 3 por ano). Alguns cineastas se refugiaram em Xangai, cenário de grande indústria cinematográfica. Na Woon-guy protagonizou o filme mais importante do período, Imjaeobtneun naleutbae (1932);
  • Início da Era do Som (1935-1945): mais obras significativas da Na Woon-gyu, como Kanggeonneo maeul (1935) e Oh Mong-nyeo (1937), esta última no mesmo ano da morte de Woon-gyu. O Japão passa a deter os direitos artísticos dos filmes coreanos a partir de 1938, e em 1942, a língua coreana é banida das produções;
  • Eras da Liberdade (1945-1950) e Guerra (1950-1953): o filme Viva Freedom! (1946) é o símbolo da era da liberdade, assim chamada por conta da rendição do Japão em 1945. No período de guerra, a média de produção de 5 ou 6 filmes por ano;
  • Era Dourada (1953-1973): até o término da década de 1950 houve melhora em qualidade e quantidade de produções na Coreia do Sul. Após a era da Guerra, quando a média de produções era de 5 a 6 por ano, a Coreia do Sul volta a produzir em maior quantidade (111 filmes no ano de 1959). Em 1963, foi promulgada a Lei Cinematográfica, com restrições sobre filmes produzidos e o conteúdo destes.
Segundo o livro Cinema no Mundo: Ásia, organizado por Alessandra Meleiro, encontramos um texto de Miriam Ross onde esta afirma que havia cineastas que atuavam sob o regime militar dos anos 1970 e 1980, vindo o reconhecimento mundial das produções coreanas apenas após o período da censura (meados dos anos 1990).
No canal Korean Film Archive, no Youtube, é possível ter acesso a diversos filmes sul-coreanos clássicos. (Fonte: BrazilKorea)


Cinema Asiático: Japão



O início de tudo... No Japão 
  • ž  O cinematógrafo dos irmãos Lumiére chegou ao Japão em 1896; 
Primeiro filme japonês
  • ž Em junho de 1899, surge o primeiro filme japonês, Geisha no Teodori, um documentário de curta-metragem.”
  • ž  “Os primeiros curtas produzidos no Japão foram Bake Jizo (Jizo O Mago) e Shinin no Sosei (Ressurreição de um cadáver), ambos de 1898”(...) e do gênero “terror”.
KABUKI

Os filmes mudos (e em preto e branco) eram inspirados no tradicional teatro kabuki.

BENSHI

  • Nos cinemas, havia um benshi, que comentava e orientava o público sobre a história.
  •  Efeitos “vídeo game”
  • žMovimentos de Câmera não tradicionais
  • žLiberdade Visual
  • žAnimação inspirada no Mangá
  • o cinema de 80 e 90 é muito autoral, a estética que vai além das cores e do modo tradicional de representação é muito particular a cada diretor.

Gêneros de cinema japonês



žJIJidaigeki : peças de época criados durante o período edo (1603-1868) ou anterior.
cinema samurai: um subgênero de jidaigeki, também conhecido como chambara
(onomatopéia que descreve o som de espadas em choque).
žhorror: filmes de terror, como “anel” (1998), de hideo nakata;
žtokusatsu
kaiju: filmes de monstro, como “godzilla” (1954), de ishiro honda.
žfilmes-de-rosa:  filmes pornográficos.
žfilmes de yakuza: filmes sobre mafiosos de yakuza.
žgendaigeki: o oposto de "jidaigeki", os filmes de hoje (contemporâneos).
žshomingeki: filmes realistas sobre trabalhadores comuns.
žanime: animação. Anime refere-se a "animação japonesa" em inglês.
¡mecha: mecha= “robô gigante controlado por um piloto ou controlador”. 
São as produções em que mechas e seus pilotos são os principais personagens.
žficção científica


Diretores


*Postado por Cleison Guimarães. Material cedido por Wesley Santos.

Cinema Pós-moderno




Introdução

—Os temas culturais que envolvem o pós-moderno e expressões derivadas foram um dos mais polêmicos das últimas décadas.
—Nos anos 1980 o debate sobre esse tema alcançou o nível mais intenso, com grupos contrários e a favor da existência do período pós-moderno.


A Pós-modernidade e o Pós-modernismo


Pós-modernidade: período histórico;
Pós-modernismo: campo/movimento cultural.

Classificações realizadas corretamente

—A mesma designação (pós-moderno) foi também atribuída a filmes que desconcertavam a crítica, como O fundo do coração (Francis F Coppola, J 982), Blade Runner, o caçador de androides (Ridley Scott, 1982) e Brasil, o filme (Terry Gilliam, 1985).
—Este foram classificados à categoria de pós-modernos por não se encaixarem em nenhuma das outras classificações existentes da época, como clássica, modernista, vanguardista, expressionista e surrealista.


O que caracteriza a pós-modernidade e pós-modernismo


O início da contenda

—Com as características de pós-modernidade e pós-modernismo determinadas, as pessoas começaram a “tomar partido”, ou seja, começaram a expor seus discursos de crítica ou elogio.
—Os que eram contra a existência de ambos (época e cultura), as tachavam de vazias, apolíticas e inautênticas. Já os que eram à favor de ambos, as exaltavam por serem mais livres das pressões inadmissíveis de outros tempos.
—Esse debate continua até hoje pelo fato de ainda estarem presentes na nossa atualidade.


Não existe um único pós-modernismo


—Não existe um único pós-modernismo, mas vários, cada qual conforme a visão de mundo a sustentar o conceito. O mesmo vale para sua aplicação em relação ao cinema: um filme que não passaria de vulgar realização clássica para alguns críticos, para outros seria a quintessência (a parte mais pura) do pós-moderno.


O que realmente seria cinema pós-moderno?


—Desde o início dos anos 1980, críticos e aficionados (pessoa que se interessa por alguma arte ou esporte; adepto, simpatizante, torcedor) já faziam suas listas de filmes pós-modernos.
—Para que um filme fosse considerado pós-moderno, deveria ser uma realização diferente das que se conheciam. Mas esse critério nem sempre foi utilizado rigidamente. De tal forma que até mesmo títulos comuns (iguais) aos considerados “simples” da época, como Loucademia de polícia (Hugh Wilson, 1984) e Rocky IV (Süvester Stallone, 1985) foram classificados como pós-modernos.
—Esses constantes “erros” representaram a crise do conceito, que, como em qualquer caso de abuso conceitual, passou a ser usado indiscriminadamente, tendo utilidade nula.





Principais Características


—A condição pós-moderna
-Obcecado por suas heranças;
-Cinema de citações;
-Clássico: ilusionista; moderno: anti-ilusionista; pós-moderno: ilusionista;


*Postado por Cleison Guimarães.